
Notícias Contábeis
- Início
- >
- Notícias Contábeis
Governo estuda aumentar limite de faturamento do MEI de forma gradual a partir de 2027
O governo federal avalia elevar gradualmente o limite anual de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI) a partir de 2027. A proposta em discussão prevê aumentar o teto atual de R$ 81 mil para R$ 100 mil no próximo ano e para R$ 120 mil em 2028. A medida surge em meio às negociações no Congresso Nacional, que analisa projetos com valores ainda mais elevados, e às preocupações da equipe econômica com os efeitos fiscais e previdenciários da mudança.
Atualmente, tramita no Legislativo uma proposta já aprovada pelo Senado que amplia o limite de receita bruta anual do MEI para R$ 130 mil. Na Câmara dos Deputados, parlamentares defendem um reajuste ainda maior, podendo chegar a R$ 145 mil.
A discussão envolve aproximadamente 16,75 milhões de microempreendedores individuais registrados no país, segundo dados da Receita Federal, e tem reflexos diretos sobre arrecadação tributária, enquadramento empresarial e financiamento da Previdência Social.
Governo busca alternativa para reduzir impacto previdenciário
Estudos analisados por integrantes do governo apontam que a ampliação do teto do MEI pode aumentar significativamente os compromissos futuros da Previdência Social. Projeções internas indicam que uma elevação para R$ 130 mil anuais poderia gerar impacto atuarial estimado em cerca de R$ 90 bilhões, considerando receitas e despesas previdenciárias projetadas para as próximas décadas.
Embora ainda não exista cálculo oficial para os limites intermediários em análise, as estimativas apontam que o custo atuarial poderia variar entre R$ 50 bilhões e R$ 80 bilhões.
O principal argumento da equipe econômica é que o modelo atual do MEI possui forte subsídio estatal. Hoje, o empreendedor individual contribui com 5% do salário mínimo para ter acesso a benefícios previdenciários como aposentadoria por idade, auxílio por incapacidade temporária, salário-maternidade e pensão por morte.
Com o salário mínimo vigente, a contribuição mensal destinada ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) corresponde a R$ 81,05.
Mudanças nas contribuições estão em debate
Além do aumento do limite de faturamento, técnicos do governo discutem alternativas para tornar o regime financeiramente mais sustentável no longo prazo.
Entre as possibilidades avaliadas está a substituição do modelo atual de contribuição baseada no salário mínimo por um sistema vinculado ao faturamento do negócio. Também são discutidas novas alíquotas, que poderiam variar entre 8% e 12%, conforme a faixa de receita do empreendedor.
A proposta busca criar uma transição gradual entre o MEI e o Simples Nacional, reduzindo o chamado "efeito barreira", situação em que muitos empreendedores evitam expandir suas atividades para não perder os benefícios tributários do regime simplificado.
Atualmente, empresas enquadradas no Simples Nacional podem faturar até R$ 4,8 milhões por ano, mas enfrentam carga tributária superior à aplicada aos microempreendedores individuais.
Possível migração de empresas preocupa área econômica
Outro ponto monitorado pelo governo é a possibilidade de empresas atualmente enquadradas no Simples Nacional migrarem para o MEI caso o limite de faturamento seja ampliado.
Segundo estimativas preliminares, essa movimentação poderia provocar redução na arrecadação tributária entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões por ano nos primeiros anos após a mudança.
Estudo elaborado pela consultoria legislativa da Câmara dos Deputados também aponta impacto relevante. O levantamento estima perda anual superior a R$ 5 bilhões em receitas públicas, considerando o período entre 2025 e 2027.
Qualquer alteração nos critérios do MEI deve considerar não apenas os benefícios para a formalização de pequenos negócios, mas também seus reflexos sobre o equilíbrio financeiro da Previdência Social.
Especialistas defendem debate sobre sustentabilidade do regime
Criado em 2008 com o objetivo de incentivar a formalização de trabalhadores autônomos e pequenos empreendedores, o MEI passou por mudanças importantes ao longo dos anos. A contribuição previdenciária, por exemplo, foi reduzida de 11% para 5% do salário mínimo em 2011.
Estudo elaborado pelo especialista em Previdência Rogério Nagamine aponta que, nas regras atuais, o regime apresenta déficit atuarial estimado em aproximadamente R$ 700 bilhões em valores presentes. Segundo o levantamento, para alcançar equilíbrio financeiro de longo prazo seria necessária uma contribuição significativamente superior à atualmente recolhida pelos microempreendedores.
Na avaliação do especialista, o debate sobre ampliação do limite de faturamento deve ocorrer em conjunto com a discussão sobre as fontes de financiamento da Previdência Social, especialmente diante do crescimento contínuo do número de empreendedores formalizados no país.
Contratação de empregados também poderá ser revista
Paralelamente à discussão sobre o teto de faturamento, o governo estuda flexibilizar as regras de contratação de empregados por microempreendedores individuais.
Hoje, o MEI pode manter apenas um funcionário registrado. A proposta em avaliação prevê ampliar esse limite, embora ainda não exista definição sobre o número máximo de trabalhadores que poderá ser contratado.
A medida é analisada no contexto das discussões sobre mudanças nas relações de trabalho e busca oferecer maior flexibilidade operacional aos pequenos negócios que permanecem enquadrados no regime.
Fonte: Contábeis


STJ valida cobrança do Difal do ICMS em compras interestaduais por empresas contribuintes
Ler mais
Empregadores devem enviar dados de trabalhadores ao eSocial até 20 de junho para nova rodada do Abono Salarial
Ler mais